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sábado, 29 de março de 2014

Viajem nos teus olhos...

Você me disse ‘Oi’ e antes de responder comecei a estudar seus olhos. Estava tentando definir a cor exata, a temperatura certa das tuas pupilas, tentado achar conexão do que via com alguma coisa que já conhecia. Não consegui.
Fui tão fundo em seu olhar que fiquei hipnotizada, imobilizada, sem ar. Fui a uma viajem no tempo, onde pude comparar seu olhar com vários, de vários, de outras diferentes situações. Entre uma e outra ele mudava o tom, mudava de tamanho, mudava brilho, contraste, mudava. Sua pupila variava o tamanho, mas não mudava de intensidade, era um buraco negro, qualquer um que parasse um pouco para admira-la poderia ser puxado por ele. Em outras situações eles contradiziam com seus lábios, já em outras, eles formavam um par perfeito, sincronia impecável.  Quando eles sorriam juntos, seu sorriso ganhava brilho e seus olhos ganhavam uma moldura impecável.
Na minha cabeça se passou dias e eu ali paralisada estudando com cautela cada detalhe. Buscando onde morava a verdade, porque os tais olhos não mentem. Vendo eles de varias formas, sorrido, amando, apaixonado, feliz, solitário, triste, incompreendido, queria saber diferenciar todos eles e nunca queria conhecer ele mentindo. Das formas boas, iria compartilhar das ruins iria o transformar das verdadeiras iria agradecer, e na mentira, ia procurar a verdade para entender.  
Peguei-me pensando se você por acaso já fez o mesmo comigo, se um dia já procurou entender meus olhos, torço para que você entenda o mais simples olhar, o mais forte, e mais contínuo, que te pede a todo o tempo “não minta para mim.”

Antes que você pudesse notar minha viagem e viesse me perguntar o porquê da minha cara de boba, eu voltei com a alma, olhos, e lábios na mesma sintonia te responderam: Oi!

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