Você me disse ‘Oi’ e antes de responder comecei a estudar
seus olhos. Estava tentando definir a cor exata, a temperatura certa das tuas
pupilas, tentado achar conexão do que via com alguma coisa que já conhecia. Não
consegui.
Fui tão fundo em seu olhar que fiquei hipnotizada, imobilizada,
sem ar. Fui a uma viajem no tempo, onde pude comparar seu olhar com vários, de vários,
de outras diferentes situações. Entre uma e outra ele mudava o tom, mudava de
tamanho, mudava brilho, contraste, mudava. Sua pupila variava o tamanho, mas
não mudava de intensidade, era um buraco negro, qualquer um que parasse um
pouco para admira-la poderia ser puxado por ele. Em outras situações eles
contradiziam com seus lábios, já em outras, eles formavam um par perfeito,
sincronia impecável. Quando eles sorriam
juntos, seu sorriso ganhava brilho e seus olhos ganhavam uma moldura impecável.
Na minha cabeça se passou dias e eu ali paralisada estudando
com cautela cada detalhe. Buscando onde morava a verdade, porque os tais olhos
não mentem. Vendo eles de varias formas, sorrido, amando, apaixonado, feliz, solitário,
triste, incompreendido, queria saber diferenciar todos eles e nunca queria
conhecer ele mentindo. Das formas boas, iria compartilhar das ruins iria o transformar
das verdadeiras iria agradecer, e na mentira, ia procurar a verdade para
entender.
Peguei-me pensando se você por acaso já fez o mesmo comigo,
se um dia já procurou entender meus olhos, torço para que você entenda o mais
simples olhar, o mais forte, e mais contínuo, que te pede a todo o tempo “não minta
para mim.”
Antes que você pudesse notar minha viagem e viesse me
perguntar o porquê da minha cara de boba, eu voltei com a alma, olhos, e lábios
na mesma sintonia te responderam: Oi!
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